A importância do afeto na infância

A importância do afeto na infância

Hoje o texto é sobre A importância do afeto na infância, escrito por Cibele Takahashi, coordenadora do Grupo Cuidar.

“..Seres humanos de todas as idades são mais felizes e mais capazes de exercitar melhor seus talentos quando seguros de que, atrás de si, há uma ou mais pessoas em que confiam e que lhe darão ajuda em necessidade.” (John Bowlby)

As mudanças nas estruturas familiares também modificaram a dinâmica parental. A mulher, por circunstâncias históricas e sociais, foi para o mercado de trabalho e adquiriu além do papel de socializadora dos filhos, a função de provedora. Com isso, muitas vezes é sobrecarregada e afasta-se do envolvimento afetivo e emocional do bebê.

A qualidade desse envolvimento estabelece um padrão de apego da criança em relação à mãe, que diz respeito ao seu sentimento de segurança na presença dos pais, a partir do qual o indivíduo pode explorar o mundo e experimentar outras relações. Sendo um constituinte importante da personalidade de cada um e de seu desenvolvimento social até a fase adulta.

Esta qualidade é determinada pela capacidade em não apenas de fornecer o suprimento básico de vida, mas de dar calor materno, isto é, de tocá-lo, escutá-lo, estimulá-lo e acolhê-lo em situações estressantes. “Das carícias e brincadeiras, da intimidade da amamentação através da qual a criança conhece o conforto do corpo materno para com seus pequenos membros, o bebê aprende o seu próprio valor. O amor e o prazer que a mãe tem com ele representam seu alimento espiritual.” (J.B.)

Isso significa que o bebê, ao estabelecer um modelo funcional interno seguro, vai desenvolver expectativas positivas em relação ao mundo e um melhor desenvolvimento biopsicossocial.

Estes bebês tendem a demonstrar  maior liberdade na exploração do ambiente, melhor interação com as pessoas, maior atenção e concentração em tarefas.

Estudos observacionais mostram que as mães desses bebês favorecem um ritmo de desenvolvimento mais assertivo e harmonioso, incentivando-os a novos desafios. Essas mães são, de forma geral, mais realistas quanto à capacidade de realização de seus filhos, menos ansiosas em relação à possíveis falhas que suas crianças possam ter e, mais seguras quanto à sua própria atuação como mães.

Por outro lado, mães que demonstram uma ansiedade excessiva quanto às realizações da criança, exigindo dela mais do que ela pode fazer, que mostram-se desatentas, impacientes ou agressivas, podem gerar condições desfavoráveis para a formação de vínculos afetivos saudáveis, que aliadas à condições ambientais, podem propiciar crianças com um comportamento ansioso, resistente ou desorganizado e desempenho prejudicado em suas tarefas.

Os padrões de funcionamento gerados na infância tendem a se repetir durante toda a sua vida, portanto, ainda que haja um cuidador substituto (algum parente, babá, pessoas da escola ou creche), é importante estar atento em dedicar-se, dentro do que for possível, aos filhos e ao desenvolvimento afetivo e emocional deles, essenciais para a formação de adultos realizadores e auto-realizados.

Referências

Criança em Foco – A importância do apego no processo de desenvolvimento.

Psicologado – A privação do vinculo afetivo materno pode contribuir para o ato infracional do adolescente na atualidade.

Scielo – Os efeitos do abandono para o desenvolvimento psicológico de bebês e a maternagem como fator de proteção.

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